quarta-feira, 18 de maio de 2011

Andrea, uma aquarela de saudades.

    Eu só queria que você soubesse que amanhã, independente de qualquer coisa, vai nascer um novo Sol.     
    Desta vez ele vai ser mais brilhante do que o dia anterior e vai te aquecer com a sua luz.
    Eu também quero que você saiba que durante a noite, também vai existir uma luz, não a do Sol, mas a de uma força maior que também advém dos céus e que se você se apegar a essa luz, nada poderá apagar o seu brilho, nem mesmo a escuridão da noite.
    E além dessas coisas que eu gostaria que você soubesse, eu queria te dar dois presentes.
   Primeiro, um caderno novo. E nesse caderno, eu quero que você comece a reescrever sua história. Estou achando seu caderno muito antigo, rabiscado, cheio de erros e até algumas manchas. Talvez se a gente tentar apagar com a borracha ou com o corretivo, as folhas se rasguem! Então, melhor que você tenha um novo caderno para escrever novos capítulos na sua vida. Mas por favor, que eu continue sendo uma das personagens da sua história.
Além do caderno, eu quero te dar uma caixa de lápis de cor.É,isso mesmo! Um novo caderno merece lápis coloridos, de todas as cores. Bonitos.Novos.Conservados.
De preferência, com cores vibrantes, alegres. E que esses lápis possam simbolizar o Sol que você aprecia todas as manhãs,o mar que você me apresentou pela primeira vez e  que hoje te reverencia com as suas ondas, as árvores que te oferecem sombra e todas as coisas pelas quais se vale a pena viver.Se puder, desenha no final um coração com o nome Carla dentro.É tudo que te peço: a oportunidade de permanecer no cenário.E em troca te dou o caderno, os lápis e o futuro.
Ps: Andrea é a irmã ausente, desgarrada e solta ao mundo.

domingo, 8 de maio de 2011

Conselheiro?


     Eu me sinto tão frágil às vezes.Queria me debruçar em alguém, em alguma coisa, em alguma fé.Queria aquela segurança que você me deu poucas vezes e eu só a senti  nos momentos de seu sono.Mesmo bêbado, inconsciente, cansado.Ali, de uma maneira tão minha, encolhido ao canto da cama para me dar mais espaço e conforto.
   Você não sabe quantas vezes eu acordei pra te ver dormindo.Respirando a calmaria que você nunca pode me dar de olhos abertos.Me coloquei entre seus braços pra acompanhar sua respiração.Inútil paz!No fundo eu queria mesmo ter-te acordado para dizer tudo.Tudo, tudo o que minha voz foi obrigada a calar quando você friamente dizia: "-Não quero conversar hoje."E minhas reticências foram se arrastando.

   Queria ter te dito coisas que nunca tive a oportunidade de dizer, como o que senti quando te vi pela primeira vez.Foi lindo te ver e pensar: eu quero!E quis.Você sabe que eu quero e vou querer até o fim, até o fundo.Apesar e a pesar de todos os nossos pesares.Não importa: Você me ama pelo que me mata e de certa forma, eu já me conformei com isso.Esse seu jeito rude de me empurrar pra vida, essa maneira desumana de quebrar minhas fantasias, essas suas tentativas de calar minha poesia!Ora rapaz, você me cansa tanto!Cansa, cansa, cansa... mas não me causa tédio.
    Porque você nunca terá idéia  da minha obstinação em fechar os olhos, contraí-los quase com a força de um parto, apertar os lençóis da cama, esquecer de tudo para dormir, mas sem conseguir.Eu me preocupo com você!Se está se alimentando direito, se está fumando demais, dormindo na hora certa.Chegado o  final de semana, então, é quase um suplício.
   Assinei meu calvário no dia que resolvi te amar, no dia que passei a aceitar sua irrefletida permanência em minha vida.Eu poderia deixar o futuro te ensinar, poderia esperar você ficar sozinho ou com alguma mulher que te ensine o que é sentimento da maneira dolorosa.Eu poderia deixar você cansar da boemia para pular fora depois, quando você estivesse fatigado das procuras.
Mas e o amor, rapaz, e o amor?E todo esse clarão que tem aqui dentro?E essa coisa que me faz acordar de madrugada pra ver se tem alguma mensagem sua?E o amor, cara?E todo esse insistente e castigado amor...? O que eu faço com ele, rapaz?     

   
  

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Flor de terra.

   Passei  por uma angustiosa sensação nos últimos dias: Minhas palavras se calaram num silêncio absurdo.Pela primeira vez em 22 anos de puras tentativas, passei semanas sem escrever.
   Não por falta de assunto ou vontade.Prefiro apostar na falta de coragem.Eu já fui corajosa um dia, como os que buscam com braveza os seus caminhos – hoje prefiro os atalhos.
   Minha inspiração explodiu hoje, quando ao final da tarde, desprendi-me do último andar  e coloquei meu pés descalços na terra.Inocentemente comprei algumas daquelas sementes, amor-perfeito, e fui plantar debaixo do pé de carambola –que ousadas caem madura e despejam seu suco na grama.
    Propositalmente, sabe?Quis dar aquele lugar uma prova a mais, uma prova de vida.Se um fruto despencar do alto, num vôo de liberdade, será possível sobreviver um  amorquesedizperfeito?É que com meu peito esmagado de tantas quedas & frutos inválidos, eu já não acredito.Preciso ver.
    Não, eu não tenho pena da flor que lutará para despejar suas cores para fora da terra.Ora, quem tem pena de mim?
     Quanto a piscina que assistia o plantio, sei que fiquei horas a sua borda.Olha a piscina!Me olhando com mansidão, as mãos sujas de terra, os pés acolhidos em seus azulejos rentes como um-amor-verdadeiramente-sincero-que- não-precisa-de perfeição, os olhos cheios d’água, o coração desenhado em lã de aço.Intacta.Contemplando aquela dança da água que me empurra o pés para onde deseja.
   Attente em francês quer dizer espera.Atento, então!Perpetuamente impedida de ousar fora do tempo: a espera do milagre das folhas.Até que as flores feitas de terra brotem e me respondam:  Se elas conseguiram sobreviver ao peso do estranho corpo da carambola, porque eu não consegui suportar o peso do seu corpo no meu?
   Tiro os pés da piscina e sigo pelas escadas.Crescente e gradual espera.Até que o florescimento me prove  que a vida & o amor (perfeito ou não) transigem a impactos maiores.Quem sabe isso me inspire a retomar ao peso diário da nossa convivência.


Na foto, a coisa mais poética que há em mim :)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

      Sala vazia.Observo o retrato na parede: Fotografia amarelada pelo tempo, homens amarelados pela vida.O pó se acumula em toda e qualquer extremidade.O ópio do cigarro em meus dedos que remete a uma certa nostalgia - não de um passado cheio de eco, mas do que ameacei ser um dia.
      Abro a janela e deixo a lua pratear minha mão.No exato momento que escrevo cai uma gota de chá no papel.Me distraio, cai também uma cinza.
      O céu me assiste e acompanha a sequência: Chá, cinza, lágrima, papel manchado e saudade.
      Escritora da minha própria solidão, penso.Escuto no rádio Os botões da blusa que você usava e meio confusa eu desabotoava.Outra lágrima que pesa, outro vazio.
      Mais um ciclo se repete: Chá, cinza, lágrima, papel manchado e saudade.
      Me deito e mais uma vez saudade.Só saudade latejando em mais um dia que não durmo.
      O que importa?O céu continua brilhando.


                                                      

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Anexo Transcedental

           E os amigos?Bem, eu tenho poucos e posso contá-los nos dedos.Mas os poucos que tenho são o suficiente para ora me amparar, ora me enlouquecer.Nunca fiz questão de ser popular, viver rodeada de pessoas e brindar com desconhecidos.Confesso que os meus são gente estranha como eu.São também pessoas de cabeças e corações abertos.Possuem uma capacidade ímpar de perdoar, de aceitar as diferenças e conviver.
          Todos os meus anexos - sim, uma-parte-à-parte-de-mim- são no mínimo, mestres na arte da convivência.Se percebem que quero ficar sozinha, naturalmente se afastam.Sem mágoa.Sem aquele rancor que as pessoas desenvolvem quando têm sua companhia rejeitada: Pura vaidade.Não, eles são diferentes.Se me ligam e eu não atendo, compreendem que simplesmente não quero falar com ninguém.E não insistem.Assim, sem bajulação.
          Talvez eu afaste as pessoas de mim da maneira mais dura que sei fazer.Corto laços com facilidade, as vezes.Costumo sempre fazer a volta no meio do caminho porque acredito que fica mais fácil ir embora quando não se conhece o final da estrada:É mais fácil imaginar uma escuridão qualquer antes de se deparar de frente com borboletas e perder a coragem de seguir adiante.
          Mas sendo eu tão incostante...que gente é essa que permanece ao meu lado?Mesmo quando estou errada, mesmo quando insisto em seguir sozinha?!Que pessoas são essas que perdoam qualquer palavra ofensiva que eu possa pronunciar sem me recriminar futuramente, sem ficar de bico ou fazendo joguinhos sentimentais?Quem são eles que me protegem e me curam tantas vezes de mim mesma?Que largam qualquer coisa pra vir ao meu encontro, mesmo quando têm se transcorrido dias depois do último encontro?!Meu Deus, me ensina a ser como eles!Que nunca me culpam, nunca apontam meus defeitos e sempre me recebem com um abraço quente, livre de qualquer maldade.Meu Deus, quem são eles e como isso se explica?
          Eles são Beto, Carol e Rosana.E isso se chama: Amizade, Amor e Liberdade.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Vagão 301

        Tarde demais.O trem está partindo e aqui, parada no meio dessa estação, eu vejo a vida em círculos.Vejo as pessoas que passam apressadas e a cada passo, derramam um pouco de agonia.Seria falta de amor?Não que o amor seja o ciclo da vida, mas de fato, é ele que faz o ciclo girar.E cá estou eu presa mais uma vez em meu universo de cabeceira.
        Onde está você agora?Será que vale a pena te procurar em algum vagão?O que dirias se me visse aqui parada, atônita e com o caderno nas mãos?Ah, talvez você se orgulhasse por achar que minha vida gira em torno de ti, por achares que cada linha que escrevo é direcionada a você.Puro engano.Acorda: A magia também acaba.
        Veja, o próximo trem está partindo.As pessoas correm.Se esbarram e nem supõe que daqui, faço uma análise de tudo isso- alheia e distante de tudo..E você?Vai ficar ou vai correr?Vai salvar ou esquecer?Você ainda tem tempo?Por obséquio,te imploro,suplico:se ainda tem,caro amor,preencha essas reticências(...),por favor.
                            

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Tarefa de Classe

         Eu ja fui criança um dia.Ja precisei aprender e me adequar às vontades alheias.Alguém ja me ensinou a andar, comer e falar - só não me ensinaram como amar.Ja me ensinaram a ler e a escrever -e quem fez isso certamente jamais imaginou que eu despejaria palavras assim, tão ácidas.Me mostraram o que é certo e errado, mas nunca imaginaram que eu iria adquirir tantos vícios no decorrer da vida - sendo a mania de solidão o pior de todos eles.
         Prefiro acreditar que me tornei assim pela precariedade da educação que recebi.Ora, ninguém nunca me disse o quanto a saudade dói.Nunca me disseram o quanto as pessoas podem me machucar e o quanto esse fardo chamado passado pesa.Crucifica: Corrói.
         Agora preciso ir.Logo o sinal irá tocar para a primeira aula: E ironicamente, a professora sou eu.